TRÍDUO PASCAL
Hoje se inicia a sequência de dias excepcionalmente importantes para a cristandade - O Tríduo Pascal. Esta sequência de dias culmina no dia mais santo do ano: o Domingo da Ressurreição. Passados os sóbrios e monótonos ares quaresmais, entramos nos soleníssimos dias em que somos impelidos aos mistérios que redimiram a humanidade desfigurada pelo pecado.
Antes de tudo, é fulcral que se compreenda como a liturgia faz na nossa fé: a nossa salvação foi um acontecimento no passado, de uma vez por todas, o fato histórico está lá no passado, ficou lá. Contudo, este acontecimento se faz verdadeiramente presente na nossa vida, com toda força salvífica, através dos ritos da igreja, de modo que, celebrando liturgicamente estes acontecimentos, o passado invade o presente, e nos faz experimentar aquele mesmo ocorrido antigamente.Algo igualmente importante é entender como funciona o tríduo: o tríduo começa na quinta à tarde, mas devemos recordar que para os judeus, o entardecer é o começo de um novo dia, logo, a quinta à tarde e a sexta, são um dia só.
QUINTA-FEIRA SANTA
“Nós, porém, devemos gloriar-nos na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo;”
Este é o primeiro dia do Tríduo, a noite em que se faz memória da Ceia Pascal de Jesus. E já neste dia começamos a adentrar no simbolismo e na teologia da Redenção humana, através da liturgia.
Neste dia, meus irmão, celebramos a entrega de Jesus. O Senhor passou a vida inteira se entregando, de doando, derramando o seu suor. Jesus se derramou nos anos que passou em Nazaré, em uma vida monótona; Jesus se derramou nos caminhos da Galiléia; Jesus se derramou quando não tinha nem onde reclinar a cabeça para descansar; Jesus se derramou no seu cansaço, na sua paciência, nos seus milagres, nos seus sermões;
Desta forma, o que vamos celebrar neste primeiro dia do tríduo nada mais é do que o extremo de uma vida inteira que foi entregue. Digo o extremo porque João nos diz “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”(Jo 13, 1-3) e o fim não quer dizer até terminar, mas representa o máximo, o extremo que se pode amar, amou-os até não poder mais, amou até o extremo que se pode amar: dar a vida pelos irmãos. Desta forma, entendemos este dia do tríduo, e o Senhor que se entrega -hoje à tarde se entrega no pão e no vinho, e na sexta se entrega na cruz. É uma única entrega, pois o que ele vai fazer em sua carne na sexta, Ele já o faz na quinta liturgicamente. Por isso dizemos que a Eucaristia é sacrifício, porque o Mestre verdadeiramente já se deu no pão e no vinho antes de se dar na cruz. Se Jesus tivesse fugido da Cruz, o que fizera na quinta não passaria de um teatro, uma encenação. É isso irmão que fundamentalmente é o primeiro dia do Tríduo: “Ele me amou e se entregou por mim” Gl 2:20.
Outras coisas ainda nos fazem refletir:
O mandamento do amor - Na noite da ceia Jesus deixa seu mandamento, o mandamento que resume todos os outros: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” Jo, 13:34-35. E este mandamento está expresso no lava pés, o Mestre que assume a condição de servo e se põe à serviço dos seus. Deixou-nos o exemplo, para que façamos da mesma maneira.
O sacramento do amor - Na quinta Jesus institui a Eucaristia, se entrega no pão e no vinho, se quebra e se da a nós. Chegou ao extremo do amor: deu-se inteiramente, como foi dito no começo da homilia.
Caríssimos, somos levados ao cenáculo, por meio da liturgia. Que nestes dias sejamos capazes de nos gloriar-nos na Cruz de nosso Senhor Jesus, pois nela está a vitória sobre a morte. Amém.
O crux, salus nostra!
Hoje se inicia a sequência de dias excepcionalmente importantes para a cristandade - O Tríduo Pascal. Esta sequência de dias culmina no dia mais santo do ano: o Domingo da Ressurreição. Passados os sóbrios e monótonos ares quaresmais, entramos nos soleníssimos dias em que somos impelidos aos mistérios que redimiram a humanidade desfigurada pelo pecado.
Antes de tudo, é fulcral que se compreenda como a liturgia faz na nossa fé: a nossa salvação foi um acontecimento no passado, de uma vez por todas, o fato histórico está lá no passado, ficou lá. Contudo, este acontecimento se faz verdadeiramente presente na nossa vida, com toda força salvífica, através dos ritos da igreja, de modo que, celebrando liturgicamente estes acontecimentos, o passado invade o presente, e nos faz experimentar aquele mesmo ocorrido antigamente.Algo igualmente importante é entender como funciona o tríduo: o tríduo começa na quinta à tarde, mas devemos recordar que para os judeus, o entardecer é o começo de um novo dia, logo, a quinta à tarde e a sexta, são um dia só.
QUINTA-FEIRA SANTA
“Nós, porém, devemos gloriar-nos na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo;”
Este é o primeiro dia do Tríduo, a noite em que se faz memória da Ceia Pascal de Jesus. E já neste dia começamos a adentrar no simbolismo e na teologia da Redenção humana, através da liturgia.
Neste dia, meus irmão, celebramos a entrega de Jesus. O Senhor passou a vida inteira se entregando, de doando, derramando o seu suor. Jesus se derramou nos anos que passou em Nazaré, em uma vida monótona; Jesus se derramou nos caminhos da Galiléia; Jesus se derramou quando não tinha nem onde reclinar a cabeça para descansar; Jesus se derramou no seu cansaço, na sua paciência, nos seus milagres, nos seus sermões;
Desta forma, o que vamos celebrar neste primeiro dia do tríduo nada mais é do que o extremo de uma vida inteira que foi entregue. Digo o extremo porque João nos diz “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”(Jo 13, 1-3) e o fim não quer dizer até terminar, mas representa o máximo, o extremo que se pode amar, amou-os até não poder mais, amou até o extremo que se pode amar: dar a vida pelos irmãos. Desta forma, entendemos este dia do tríduo, e o Senhor que se entrega -hoje à tarde se entrega no pão e no vinho, e na sexta se entrega na cruz. É uma única entrega, pois o que ele vai fazer em sua carne na sexta, Ele já o faz na quinta liturgicamente. Por isso dizemos que a Eucaristia é sacrifício, porque o Mestre verdadeiramente já se deu no pão e no vinho antes de se dar na cruz. Se Jesus tivesse fugido da Cruz, o que fizera na quinta não passaria de um teatro, uma encenação. É isso irmão que fundamentalmente é o primeiro dia do Tríduo: “Ele me amou e se entregou por mim” Gl 2:20.
Outras coisas ainda nos fazem refletir:
O mandamento do amor - Na noite da ceia Jesus deixa seu mandamento, o mandamento que resume todos os outros: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” Jo, 13:34-35. E este mandamento está expresso no lava pés, o Mestre que assume a condição de servo e se põe à serviço dos seus. Deixou-nos o exemplo, para que façamos da mesma maneira.
O sacramento do amor - Na quinta Jesus institui a Eucaristia, se entrega no pão e no vinho, se quebra e se da a nós. Chegou ao extremo do amor: deu-se inteiramente, como foi dito no começo da homilia.
Caríssimos, somos levados ao cenáculo, por meio da liturgia. Que nestes dias sejamos capazes de nos gloriar-nos na Cruz de nosso Senhor Jesus, pois nela está a vitória sobre a morte. Amém.
O crux, salus nostra!
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